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Quinta, 25 Fevereiro 2021 13:16

Pesquisa mostra jovens como mais afetados pela crise de 2014/16 no Estado de São Paulo

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Estudo coordenado pelos professores Luciano Nakabashi e Rudinei Toneto, da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEA-RP) com apoio do programa USP Municípios revelou que no Estado de São Paulo os jovens foram os mais prejudicados na crise econômica que assolou o país entre 2014 e 2016.

 

Os dados estão no Boletim Mercado de Trabalho e Desigualdade, que avaliou o mercado de trabalho no Estado de São Paulo em 2002, 2010 e 2019 (é isso??). A análise revelou ainda que negros e mulheres são os que têm maior defasagem de salários em relação a brancos e homens.

 

Em 2002, a média salarial dos trabalhadores formais entre 18 e 29 anos foi abaixo de R$1.000, em valores corrigidos, em 83 dos 645 municípios paulistas, situação que melhorou em 2010, quando nenhum município apresentou renda abaixo de R$1.000. Já em 2019, dois municípios apresentaram queda na renda média, com valor menor que R$1.000 mensais entre os jovens.

 

Em 2010 cresceu o número de municípios em que o salário médio dos trabalhadores adultos (entre 30 e 64 anos) ficou entre R$2.001 e R$3.000: 315, ante 134, em 2002. Também aumentaram os municípios cujos adultos tiveram rendimentos médios superiores a R$3.001, que eram 63, em 2002, e passaram a ser 90, em 2010.

 

Já em 2019, na ampla maioria dos municípios, a média de rendimentos foi superior a R$2.001. Isso representa uma melhora em relação a 2002, quando havia a predominância de municípios com salário médio entre R$1.001 e R$2.000 mensais: 444 dos 645 municípios.

 

Os trabalhadores com 65 anos ou mais também não foram atingidos de forma severa pela crise de 2014-2016. Nos municípios com médias salariais superiores a R$3.001 desses trabalhadores, o número de municípios passou de 46, em 2002, para 102, em 2010, mas caiu para 97, em 2019. Já os municípios com média entre R$2.001 e R$3.000 eram 113, 189 e 301, em 2002, 2010 e 2019, respectivamente.

 

O estudo mostrou também que no Estado de São Paulo a desigualdade de renda é uma realidade, onde o rendimento médio de brancos e amarelos foi superior ao dos pretos e pardos. No ano de 2010, em 291 municípios, brancos tiveram média de rendimento superior a R$ 2000 e em nenhum município a média de rendimentos deles foi inferior a R$1.000. Já em relação aos trabalhadores pretos, em apenas 35 municípios do estado, esses tiveram uma média de rendimento acima dos R$2.000. Em algumas localidades, a média salarial de trabalhadores negros era menos de 40% daquela dos brancos.

 

A situação se repete ao se analisar a renda por gênero: há elevada desigualdade salarial, sendo que a sua redução tem ocorrido de forma lenta. Em 2002, 125 municípios apresentaram média de rendimento das mulheres maior que a dos homens. Em 2010, esse cenário ocorreu em 80 municípios, e em 2019, em 119 municípios.

 

Houve piora em algumas regiões de governo do Estado, o que mostra que existem muitos desafios para reduzir a desigualdade de salários por gênero e por raça.

 

Por: Leonardo Rezende.

Lido 430 vezes Última modificação em Quinta, 25 Fevereiro 2021 13:36