Quinta, 27 Novembro 2025 12:57

Boletim sobre criminalidade é realizado pelo Centro de Pesquisa em Economia Regional (Ceper) da Fundace

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O presente boletim tem como objetivo investigar a relação entre indicadores socioeconômicos e de criminalidade nos municípios paulistas. Para isso, considerou-se o período 2004-2021.

As variáveis selecionadas abrangem, de um lado, dimensões econômicas e sociais -- representadas pelo PIB per capita, rendimento médio real, Índice de Desenvolvimento Humano Municipal (IDHM), coeficiente de Gini e nível de pobreza -- e, de outro, indicadores de violência e criminalidade, expressos pelas taxas por 100.000 habitantes de homicídio, furto, roubo e furto e roubo de veículos.

A aplicação do correlograma contribui para a compreensão das inter-relações entre desigualdade social, crescimento econômico e incidência criminal, oferecendo subsídios empíricos relevantes ao debate acadêmico e às políticas públicas de segurança e desenvolvimento em São Paulo. Importa destacar que, nas células do correlograma representadas por ‘--’, não se identificou significância estatística ao nível de p < 0,05, o que indica ausência de correlação.

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De acordo com a Tabela 1, nota-se que a análise da matriz de correlação indica que o PIB per capita apresenta associações relevantes tanto com variáveis socioeconômicas quanto com indicadores criminais.

No campo socioeconômico, o PIB per capita correlaciona-se positivamente com o IDH-M (0,35) e, de forma mais intensa, com o rendimento médio (0,42), além de apresentar correlação negativa com a taxa de pobreza (-0,25). Por outro lado, o PIB per capita apresenta associações positivas com indicadores de crimes patrimoniais: furtos, de 0,27; roubos, de 0,28; e Furtos e Roubos de Veículos (RFV), de 0,36. Esse resultado sugere que municípios economicamente mais dinâmicos concentram maior incidência de delitos contra o patrimônio, possivelmente em função da maior disponibilidade de bens de consumo e da maior circulação de pessoas e veículos, fatores que ampliam as oportunidades para esse tipo de crime.

Já a correlação entre PIB per capita e homicídios é baixa (0,11), indicando uma fraca associação entre o desenvolvimento econômico local e a incidência de homicídios. Esse achado sugere que a violência letal pode estar mais vinculada a outras dimensões sociais, como a desigualdade, a vulnerabilidade e a presença de organizações criminosas. Por fim, a correlação entre PIB per capita e o índice de Gini é positiva, mas baixa (0,13).

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Na Tabela 2, apresenta-se o dicionário que identifica a qual grupo cada Região Administrativa pertence. Essa classificação foi utilizada como base para a análise por diferentes grupos de municípios para verificar se existe heterogeneidade espacial.

Na Tabela 3, temos as correlações nas regiões administrativas mais desenvolvidas do estado (São José dos Campos, Capital, Grande São Paulo e Santos). No âmbito econômico e social, o PIB per capita apresenta correlação positiva e robusta com o rendimento médio (0,50) e com o IDH-M (0,47), ao mesmo tempo em que se associa negativamente à taxa de pobreza (-0,42), sugerindo que o aumento da renda tende a se refletir em maior desenvolvimento humano e na redução da vulnerabilidade social.

Em relação aos indicadores de crime, o PIB per capita correlaciona-se positivamente com FRV (0,31), furto (0,22) e roubo (0,21), indicando que municípios mais ricos tendem a registrar maior incidência de delitos patrimoniais. Por outro lado, não se observam correlações significativas entre o PIB per capita e os homicídios.

Nas quatro regiões analisadas na Tabela 4, o PIB per capita apresenta correlações positivas e significativas com os três principais delitos patrimoniais: furto (0,26); roubo (0,40); e FRV (0,46). No caso do homicídio, a associação com o PIB per capita é fraca e não significativa (0,11). Entre os indicadores sociais, destacam-se as correlações elevadas do PIB per capita com o rendimento médio (0,45) e o IDH-M (0,36), além da correlação negativa com a taxa de pobreza (-0,26).

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A Tabela 4 traz as correlações para as RAs de Araçatuba, Bauru, São José do Rio Preto e Presidente Prudente. Nela, observa-se que o PIB per capita mantém correlação positiva com os crimes patrimoniais, sobretudo com roubo (0,44) e FRV (0,35), enquanto a associação com furto é moderada (0,30).

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Já em relação a homicídios, a correlação com o PIB per capita é fraca (0,14) e não significativa, reforçando que a violência letal, nesse conjunto de regiões, não se associa ao nível de prosperidade econômica.

No campo dos indicadores sociais, o PIB per capita apresenta relações coerentes, tendo correlações positivas com o IDH-M (0,26) e com o rendimento médio (0,27), além de correlação negativa, ainda que baixa, com a taxa de pobreza (-0,14).

Para a análise dos gráficos de dispersão, utilizou-se o IDH-M (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal), indicador que sintetiza dimensões essenciais da qualidade de vida da população: renda, educação e longevidade.

Ao integrar esses três aspectos em uma única medida, o IDH-M possibilita uma avaliação mais abrangente das condições de desenvolvimento local, superando as limitações de indicadores isolados, como apenas a renda ou a escolaridade.

Na Figura 1, nota-se uma relação positiva entre FRV e IDH-M. Em municípios com maior nível de desenvolvimento humano, essas ocorrências tendem a ser mais frequentes, podendo ser explicadas por fatores como maior frota veicular, maior urbanização e concentração econômica, que ampliam as oportunidades de prática de crimes patrimoniais. Os municípios do Grupo 3 apresentam linhas de tendência mais inclinadas, indicando uma relação mais forte entre desenvolvimento econômico e FRV.

Na Figura 2, a análise da relação entre a taxa de furtos e o IDH-M confirma o padrão observado no gráfico anterior. Existe uma associação positiva, além de ser mais forte nos Grupos 2 e 3.

A Figura 3 também evidencia uma relação positiva entre a taxa de roubos e o IDH-M. Nos municípios mais desenvolvidos, há maior incidência desse tipo de crime. A linha de tendência do Grupo 3 apresenta a inclinação mais elevada, seguida pela do Grupo 2.

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A Figura 4 revela um comportamento distinto em relação aos anteriores. A relação entre a taxa de homicídios e o IDH-M é negativa. Portanto, municípios com maior desenvolvimento humano apresentam, em geral, taxas mais baixas de homicídios. Esse resultado está alinhado à literatura sobre violência e crimes, que aponta que o homicídio é mais prevalente em contextos de vulnerabilidade social, baixa escolaridade e maior desigualdade socioeconômica.

A Figura 5 evidencia a relação entre o PIB per capita (em logaritmo natural) e o IDH-M. Nela, verifica-se uma correlação positiva entre as variáveis. A inclinação das linhas de tendência varia entre os grupos, sendo mais inclinada nos grupos 1 e 2.

Apêndice A

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Lido 327 vezes Última modificação em Quinta, 27 Novembro 2025 14:22